sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Meccao em Tacna ' Perú

Gente boa, boa noite!


Estamos em Tacna ' PE, onde chegamos há cerca de 1 hora. A acentuacao ficará horrível, mas vcs me compreenderao, certo. Como digito de improviso, precisarei revisar todo o blog em breve, inserindo fotos e outros comentários esquecidos por enquanto e que as fotos me lembrarao.

Ontem aa noite, por volta das 18h00, o mecanico terminou a moto do Atie e pegou a minha. Trocou velas e limpou o carburador, mantendo os mesmo gicles que já havia na moto. Terminou por volta das 21h00.

O combustível que temos usado ao longo dessas estradas é muito variado e há aqueles batizados, que prejudicam o rendimento de qualquer veículo, principalmente motos carburadas. Mesmo depois de testar, o próprio mecanico acreditava que deveríamos trocar um gicle por um mais aberto.

Decidi testar na estrada hoje de manha e se ficasse ruim, eu retornaria para a troca. Nao foi preciso. A moto ficou boa como antes da viagem, inclusive melhorando o desempenho nas cidades. A economia continua a mesma. Normalmente está fazendo entre 16 e 17 km-l, funcionando como um relogio.

A moto do Atie que foi testada por ele, achando que ficou ótima, como qdo saiu de Sampa, já nao pegou de manha e continua com problemas de partida sempre que para. O problema é bem menor que antes e a moto está andando muito bem. Acho que nao mais falaremos de crises em motos... he he he...

Saímos de Calama-Chile hoje por volta das 09h00, rumando para Iquique ou Arica, dependendo do combustível, já que poderíamos ter trecho muito longo sem postos. Mais uma vez, nao me lembro do Mazzo observar isso em seu blog, mas eu chamo atencao disso a todos vcs. Reservem lugar para 1 ou 2 galoes de 5 litros de gasolina, se a moto tiver autonomia menor que 180km. Por 3 vezes usei ambos os galoes, caso contrário ficaria na estrada.

Bem, antes de chegarmos no entroncamento para chegar a Iquique, que é litoral, distante 45km na ida e 45km na volta para pegar a estrada de novo, a cerca de 100km de Calama, paramos em um povoado aa beira da estrada, enchemos o tanque mais os 2 galoes meus e 1 do Atie. Consegui encontrar um coroa, dono de mercadinho, pilantra aa beca, que me trocou 50 dolares bem abaixo da cotacao, alegando falta de banco na regiao. Tudo pela Pátria...

Rumamos direto a Arica, sem passar por Iquique. A paisagem nao muda em quase nada. É uma sequencia de morros secos, arenosos, sem vegetacao, quase uma paisagem lunar, com grandes vales. Hoje conseguimos encontrar um oásis no meio daquele desertao. É outro lugar que nao consta em relatos, aparece no GPS do Atie como tendo um posto gasolina e o que encontramos foi um armazenzinho, onde um veínho quietao vende gasolina pelo dobro do preco. Eu nao precisei, mas o Atie comprou 5 litros chiando pelo preco, claro. Aquele oásis é a coisa mais interessante. Parece um povoado, com praca, prefeitura, corpo de bombeiros, dentro de uma vale todo verdejante, com rio interno, pouca populacao e quase todos velhos. Os jovens precisam sair da cidade para encontrar emprego. A chegada das motos naquele armazem motivou que alguns outros velhinhos das proximidades viessem comprar ou visitar a dona da lojinha.... he he he....

A estrada sobe e desce, enrola e desenrola, poucos veículos e um bom frio pela manha. Sei que seria bom as fotos, mas nao tenho tido tempo. A gente chega, corre para o banho, comer alguma coisa e dedilhar na Internet por alguns minutos e só. O cansaco bate e eu quero dormir.

Antes de chegarmos em Arica, o Atie parou para almocar e eu para comprar picolé e refrigerante, pois tinha mais sede que fome. Chegando em Arica, abastecemos e completamos os galoes de novo, pois de Arica até Tacna, já no Perú, nao há abstecimento e sao cerca de 260km. Rodados 150km, mais ou menos, paramos para comer um lanche e aproveitamos para completar os tanques com os galoes. Foi a conta para chegar a Tacna, onde estamos.

No meio do caminho entre Arica e Tacna, minha camera terminou a bateria e nao pude mais fotografar como vinha fazendo. Fiquei frustrado, já que aquela estrada cortando a beirola daqueles morros arenosos, altos, secos, escuros aa esquerda e vales profundos de centenas de metros aa beira da estrada, muitos trechos sem guard rail é uma visao fantástica. De repente, a gente entra em um vale, onde os paredoes crescem a centenas de metros aa nossa direita e esquerda, fazendo com que nos sintamos formigas. É o momento para se refletir por que tanto ego, por que tanta demagogia, por que tanta mentira para esconder o que somos de verdade e para ressaltar o que, definitivamente, nao somos.... Isso a gente ve todo dia, nao é mesmo...

Chegamos a Tacna. já anoitecendo e precisamos encontrar hotel. Sao muitos, mas todos baratos e sem conforto e sem garagem para motos. Loucura deixar motos na rua. Entrei no Plaza Hotel, bem no centro e ficamos nele, por 60 soles cada. 1,00 US$ equivale a 3,8 soles. O apartamente, mesmo nao tendo AC e ser antigo, com canalizacao velha e sem pressao, é muito confortável. Precisávamos disso.

Colocamos as motos na garagem, tomamos um banho, estou teclando para vcs e o Atie está fumando um charuto na porta da frente, me esperando para irmos jantar.

Por mais amigos, irmaos mesmo, que sejamos, há momentos em que o stress bate, o sangue sobe e se nao se segurar a lingua, acaba se falando M... prejudicando um relacionamento bom, respeitável e fraterno. Alguém precisa segurar o facho quando o outro derrapa. As vezes, um descanso num jantar, numa saída para visitar lugares, sabem, aquele tempo tao famoso, deve prevalecer durante essas viagens tao longas, onde os abstáculos surgem de repente.

Viajantes de moto, homens, nao sao casais, que precisam estar de maos dadas o tempo todo sempre que descem das motos ou chegam aas cidades. Cada um tem suas manias e exercitá las sempre ajuda na tocada de viagens longas. Novamente, menciono isso para que saibam e se acautelem na preparacao, no grupo, na escolha do itinerário, no tempo que levarao para saída e chegada a Sampa, visando nao ter que suprimir etapas legais pela pressa na chegada.

Acreditem, dificuldades surgirao com as motos ou com o grupo, em termos de saúde, preocupacoes com o que deixaram na origem da viagem, compromissos assumidos dentro de uma previsao de chegada que nao conta com tais problemas. Tudo isso gera desgaste ou stress. Daí, programar muito bem, nao é coisa de coxinha, nem de motociclista novato. Todos precisamos saber o que queremos, o que pretendemos e o que dispomos em termos de tempo e recursos. Pensem bem e aproveitem o máximo das viagens, sempre tao maravilhosas.

Ainda nao sei o que farei amanha, mas gostaria de ficar esse dia aqui em Tacna, antes de sair. Aqui tem uma zona franca e poderei trocar meu pneu traseiro por preco bom. Quem sabe comprar uma camera digital que nao consegui em Ciudad del Leste...

Well, por hoje é só. Fiquei contente pois o Nextel já está funcionando aqui no Perú, depois de todo o silencio desde a saída. Está carregando a abteria agora, junto com minha velha Sony T3.

Fiquem com Deus.

Mecca.

2 comentários:

marcos disse...

Olá Grande Mecca,companheiro de pedalada.
Estou acompanhando a aventura de vcs e devo tirar o chapéu.
Parabéns pela coragem de fazer essa viagem e de dormir com o Atiê,sendo essa última a pior das situações..kkkk
Manda um abração pro Atiê e siga o lema "devagar e sempre".
Que o barbudo lá de cima esteja com vcs.
ORIGINAL....

Reinaldo - Vacechi disse...

É Mecca, senti isso na pele, e sei que as vezes não verbalizar o pensamos é o melhor a fazer, pois depois vem a calmaria e fica fácil pra se falar do problema ocorrido. Como vcs são dois gigantes em compreensão, sei que se darão muito bem. Agora curtam a viagem, que é o principal objetivo e tenham sempre lembranças dos bons momentos e das lindas paisagens.

Mande um grande abç pro Atiê.

Abç

REinaldo