quinta-feira, 21 de março de 2013

RUMO A USHUAIA 2013 - 37º DIA - TALAMPAYA

RUMO A USHUAIA 2013 – 37º DIA – CÂNION TALAMPAYA – VALLE DE LA LUNA

O dono da Pousada Villa Union pediu que antecipasse o pagamento do pernoite e o fiz, sem problema. Disse-me que estaria na pousada pela manhã para o café, por volta das 07h30. 

Quando deu 08h30, desisti de espera-lo para o desayuno e fui ao “centro” da cidade, onde tomei meu café da manhã. Saí rapidamente para o Cânion Talampaya para pegar a 1ª excursão interna.

TALAMPAYA

Depois de 58km de boa estrada, cheguei à entrada monumental do Parque Nacional de Talampaya. Várias pessoas já estavam se preparando para início da excursão. Paguei o transporte (P$ 195,00 com caminhão safari)  e o ingresso ao parque (P$ 50,00), sem desconto para Mercosul, como das outras vezes.









 Observem o desenho da serpente gravado na rocha


 Vejam os desenhos impressos na rocha. Datam de milhares de anos.







 

Todos subimos e o caminhão safari (carroceria de ônibus com parte superior sem teto) seguiu para o Cânion. A estrada já foi boa, pois restos de asfalto levaram até o rio Talampaya, hoje seco, mas que escorre há milênios, desbastando as rochas sedimentares, construindo um mini-cânion (Gran Canyon - EUA).

As paredes são monumentais, atingindo até 200m de altura (ou profundidade) e, por serem sedimentos depositados em uma época em que tudo era o fundo de um imenso lago de uma floresta tropical exuberante, apresentam faixas correspondentes às épocas de deposição, distantes também em milênios ou eras geológicas.  As fotos falarão mais do que tento escrever.

Há animais silvestres como a raposa (zorro, aqui), roedores grandes, guanacos e consegui fazer um vídeo de um condor voando dentro do cânion.

Depois da 3ª parada para mini caminhada, quando retornamos ao caminhão safari, o motorista havia preparado uma mesa com: azeitonas, batatas chips, palitinhos salgados, doces, vinho, água e laranjada. Foi tudo que queriam os visitantes, que aproveitaram para se aproximarem uns dos outros.


Sabendo que não iria almoçar, comi bem aquilo. Ao cabo, sobraram alguns doces e o motorista os ofereceu a todos, que os levaram.

 

 O monge...


A visita durou cerca de 2,5 horas, começando às 11h00 e terminando às 13h30. 

Rapidamente, deixei o local me dirigindo ao Valle de La Luna, distante uns 80km dali, na mesma estrada. Gostaria de fazer ambas as visitas no mesmo dia.

Segundo um dos turistas com quem conversei, havia 3 dias que não se fazia nenhum passeio naquele local devido chuvas e neblina muito forte.  Torcia para que tivesse melhorado.

À medida que me aproximava da entrada, observava que o céu ficava nublado, ao longe as nuvens eram baixas e temia que não teria o passeio esperado.


VALLE DE LA LUNA

Chegando à entrada do Parque Valle de La Luna, já havia uma turma saído com um guia e a próxima seria somente umas 3 horas depois. Naquele outro parque, não há micro, ônibus ou caminhão.  Tem que seguir o guia com seu próprio veículo, no caso, com minha moto.

Paguei outros P$ 150,00 para ingresso ao parque e me mandei para a primeira estação do passeio, onde o guia me esperaria.  Percebi que ele me vira ao longe e deu partida no comboio antes que eu chegasse.  Logo os alcancei.

A estradinha é toda de rípio, mesclada com terra e muita areia, quase um talco que desliza as rodas, impermeabiliza o solo sob chuva, oriunda das erosões das rochas sedimentares. Com meu pneu traseiro bem gasto, precisei tomar cuidado ao pilotar e não pagar um chão de bobeira.  Eu percebia que a roda traseira derrapava em qualquer montinho de terra ou areia.  Estava carregado e levando o pneu reserva, tornando a moto muito pesada.  Graças a Deus, tudo deu certo e não tive nenhum problema.

O pneu usado que comprei em Mendoza é levado na garupa da moto, fixado por elásticos à moto e ao bauleto central (top case). Com o balanço da moto naquele piso rustico, o pneu ora pendia para um lado, ora para outro, causando desconforto para o piloto. Tudo passageiro, inclusive o pneu... Mesmo assim, não vejo a hora de usá-lo para o retorno até o Paraguai, com substituição em S. S. de Jujuy, onde o Miguel substituirá os retentores das bengalas da moto. 



Com relação ao parque, o Valle de La Luna é muito especial aos alunos de geologia ou engenharia de minas, como eu fui, há muitos anos, porém, para leigos, é uma excursão por um solo lunar, ou seja, toda uma grande área, onde outrora deve ter sido outra floresta, engolida pela água, que depois se esvaiu, restando somente uma imensa área formando dunas e mais dunas, que, depois de compactadas, se tornaram rochas.






 

A erosão pelo vento (eólica) produz figuras estranhas, onde rochas mais recentes ficam sobrepostas a rochas mais antigas, formando figuras humanas, pescoços, cabeças, submarinos, taças, entre outras.  Para quem conhece Ponta Grossa, pode comparar com as esculturas naturais lá existentes, só que em quantidade e região muitíssimo maiores.


Mistério até hoje esta formação arredondada quase perfeita.






 

Os turistas não podem se deslocar por qualquer lugar, devem seguir as orientações do guia e percorrer áreas delimitadas por pedras, evitando acidentes e prejuízo às áreas em estudo, devido presença de fósseis animais e vegetais.

Tais figuras, com suas deposições sedimentares em coloração e aspecto diferenciado causam um sentimento de que tudo na vida é efêmero, isto é, mesmo rochas são desbastadas e liquidadas ao longo de anos e anos pela natureza, às vezes, implacável. O que dizer de nós, simples mortais, muito metidos a besta, não é mesmo?

O comboio que começara às 15h00 terminou sua excursão às 18h00.  Eu tinha que seguir para Patquia, distante uns 105km dali, onde dormiria, para me dirigir a Tucumán, na penúltima visita desta longa viagem, desta feita, ao Germán e família.

Alguém me recomendara seguir até La Rioja, capital da província, onde teria mais recursos, porém fiquei em Patquia.

Na verdade é um povoado. Fui ao posto YPF, completei o tanque, tendo que pagar em dinheiro, de novo!  Voltei à rua principal, onde há um hotel. Fiquei com um single, cujo preço é P$ 145,00 = R$ 58,00 com café da manhã. Nem dá para reclamar de nada, certo? KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK...

O quarto é grande, privado, como seu banheiro.  O chuveiro é daquele que joga água por sobre privada, bidê e lavatório. Não há box, sacaram?  A água saiu quente e em boa vazão, o que me agradou.

Estava me enxugando quando bateram à porta. Era a moça da recepção me perguntando se pagaria agora o pernoite.  Disse-lhe que pagaria o hotel somente após o café da manhã. Gato escaldado tem medo de água fria... he he he...

Contando minha grana, já que aqui tudo é “en effectivo”, percebi que ao pagar o hotel, me sobrariam P$ 9,00.  O que comprar com isto?  Já estava com fome e o restaurante também não aceitaria cartão de crédito, como ela me disse. Estava FU...

Depois do banho, saí pela vilazinha ou povoado, encontrando um quiosco, onde comprei 2 pacotinhos de biscoito, com os quais jantei.  Nem pensei em conversar com o dono do restaurante para pagar em US$, até porque o carinha já havia fechado o dito cujo.  Que M...  !!!!!

Comi os biscoitos e agora digito.  Novamente não há Internet para me comunicar com as pessoas, muito menos para postar o meu blog.  Assim, espero que consiga fazer isto em Tucumán, amanhã, onde devo permanecer por 2 noites.
 
Há anos uso meu Nextel para me comunicar com as pessoas do meu relacionamento pessoal e profissional. No Brasil e em muitos países, é suficiente, entretanto na América do Sul, é problema. Se não houver Internet, ficamos isolados de todos, a não ser que falemos por locutórios, com telefonia usual.

Em muitos locutórios não há comunicação para o exterior, só local, complicando mais um pouco. Bem, quando se decide fazer uma viagem destas, deve estar preparado para tudo isto e não reclamar de bobeira. Deu, deu, não deu? Paciência!  Espero que as pessoas compreendam, não é mesmo?

Fiquem com Deus!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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